Tawá Tingá: o rio, a cidade e a onça

Em 2022, a Casa Moringa foi contemplada pelo Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal (FAC-DF), na categoria “Manutenção de grupo”. Com esse recurso, ao longo do ano de 2023, ampliamos nossa rede de brincantes, pesquisadoras, educadoras e comunicadoras populares, dando vida a uma nova brincadeira-espetáculo criada e protagonizada por mulheres: Tawá Tingá – o rio, a cidade e a onça. 

O processo de manutenção e a montagem do espetáculo teve a duração de 12 meses e incluiu uma extensa programação: criação de figuras brincantes; ensaios semanais; concepção e construção de figurinos, cenário e adereços; oficinas de capacitação e criação artística voltadas à dança e poesia popular; capacitações com artistas profissionais da área de direção cênica e musical com trabalho reconhecido nacionalmente; registro e criação de conteúdo nas redes sociais.

A culminância de todo o processo se deu na estreia da brincadeira-espetáculo ‘Tawá Tingá – o rio, a cidade e a onça’, realizada nos dias 02 e 03 de dezembro no Mercado Sul de Taguatinga, território de origem da nossa Casa Moringa.

 
Em cena, dezoito mulheres brincantes e suas encantarias realizam um feitio de amarração de fios da história que foram cortados na formação do Distrito Federal. Elas (re)ocupam o território ancestral de “Tawá Tingá” (barro branco, na língua tupi), com um mutirão de reflorestamento do imaginário e de limpeza das águas profundas do rio da memória. Na travessia, vida e morte se encontram para celebrar o nascimento de um povo e de uma brincadeira, sob a proteção da guardiã da floresta: Onça Yayá.

UMA CRIAÇÃO COLABORATIVA

Com direção cênica de Cibele Mateus (SP) e direção musical foi de Dessa Ferreira (DF), a dramaturgia teatral colaborativa de ‘Tawá Tingá – o rio, a cidade e a onça’ foi coordenada pela artista Luciana Meireles (DF), criadora do projeto. Inspirado nos formatos de encenação dos folguedos teatrais das culturas populares brasileiras, o enredo trouxe à cena figuras brincantes concebidas através das histórias de vida e ancestralidades das artistas participantes.

O espetáculo reconta a história do povoamento de Taguatinga e da construção de Brasília, a “capital da esperança”. As sementes para essa criação são as mestras e mestres que movimentam as culturas populares no DF, resistindo frente à cultura de massa com seus mamulengos, capoeiras, teatro de terreiro, bumba meu boi e palhaçaria tradicional. Com essa referência, o processo de montagem criou diálogos entre diferentes linguagens e tradições.

“Recontar a história do nosso território é dar luz às memórias de mulheres trabalhadoras que foram invisibilizadas no projeto moderno de uma cidade construída para pessoas já privilegiadas. Queremos agora protagonizar os sonhos de nossas ancestrais, mulheres migrantes afro-índigenas, ciganas, ribeirinhas, camponesas… gente que dá sustentação pra cidade acontecer. Na brincadeira, reinventamos nossas heroínas, e com alegria e liberdade abrimos espaço para outras narrativas sobre a cultura brasileira”, explica Luciana Meireles.

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FICHA TÉCNICA

Concepção e coordenação geral: Luciana Meireles
Direção cênica: Cibele Mateus
Direção musical: Andressa Ferreira
Coordenação de dramarturgia colaborativa: Luciana Meireles
Coordenação de pesquisa criação para cenários e figurinos: Lua Cavalcante

Atrizes brincantes e criadoras de figuras:
– Barbara Ramalho
– Dielle Mendes
– Flavia Aguiar
– Jacyara Tonhá
– Kamilla Kelly
– Laíza Almeida
– Larissa Liberato
– Lua Cavalcante
– Luciana Meireles
– Nara Codo
– Nara Oliveira
– Nathalia Honorato
– Nina Nuvens
– Rayane Santos
– Rayla Costa
– Rebecca Torquato
– Tamara Marques
– Yvonne Lira

Artistas brincantes convidadas: Diangala (Regina Salgado) e Fabíola Resende
Mestras convidadas: Tete Alcândida e Nen Rocha

Coordenação administrativa: Alessandra Rosa – Roseira Produções
Coordenação de montagem de evento: Guilherme Azevedo e Arsenal do Gueto
Produção Executiva: Rayla Costa
Consultoria de produção: Luciana Celestino
Assistentes de produção: Ramona Jucá

Consultoria de figurinos: Tamara Marques e Nara Oliveira
Figurinista e costureira: Nem Rocha
Criação de estandartes: Nara Oliveira
Cenografia e adereços: Lua Cavalcante, Tete Alcândida, Virgílio Mota, Dielle Mendes, Nina Nuvem e Chris Arts

Oficina de dança popular: Letícia Coralina
Oficina de poesia popular: Keyane Dias
Assistente de direção musical: Laiza Almeida
Musicista convidada: Carol Carneiro
Oficina de Percussão: Lirys Catarina
Oficina de Máscaras: Tete Alcandida

Coordenação de comunicação e assessoria de imprensa: Keyane Dias
Projeto gráfico: Nara Oliveira
Gestão de redes sociais : Aracely Silva
Pesquisa e redação: Luanna Ferreira e Keyane Dias
Registro audiovisual: Farid Abdelnour e Raissa Miah
Fotografia: Aracely Silva, Raissa Miah e Davi Mello
Audiodescrição: Lúcia Corrêa
Interpretação em Libras: Gustavo Lopes e Raquel Almeida

Acompanhe!

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