As rodas da Onça são guiadas por Maria das Alembranças, a avó da brincadeira, em um processo criativo colaborativo com a encantaria ancestral de cada mulher brincante da roda. É um religamento de cordões, mundos e tempos… arte, ancestralidade e magia… feitio de beleza, plantio de alegria, uma batalha furiosa pela liberdade de ser e se expressar.

 

1ª RODA

A primeira roda da Onça Yayá aconteceu em 2021, na preparação para a saída da Caravana Das Alembranças, em um ritual intimista de batizado reunindo as figuras criadas por cada mulher durante as Oficinas Mulheres Brincantes. Foi nessa roda que nosso brinquedo ganhou seu nome: Onça Yayá. A partir daí, Maria das Alembranças seguiu contando “A fabulosa história da onça alembrada” pelo Brasil afora.

 

2ª RODA

A segunda roda da Onça Yayá aconteceu em outubro de 2022, no Espaço Inventado, na Vila Cultural 813 Sul. Nas vésperas das eleições que derrubaram um presidente fascista no Brasil, novamente nosso grupo se reuniu, reconhecendo-se como o bando de figuras da Onça Yayá. Em roda, abrimos um espaço de respiro, suspiro e arrepio no meio do caos urbano e das máquinas engolidoras de gente.

Embaladas no ritmo da revirada politica que encheu de esperança nosso povo festeiro, também fizemos nossa primeira saída pública, em cortejo, celebrando a festa de Tetéu, a rainha da Beira do Mundo, umas das figuras que acompanha a Onça Yayá, abrindo os caminhos da rua para a brincadeira chegar.

 

E assim foram chegando mais mulheres e mais figuras, compondo uma aldeia alembrada dentro do projeto de manutenção da Casa Moringa. As figuras foram chegando através dos sons que fazem vibrar o coração. Algumas com o tambor, outras pelo assobio, outras, ainda, pelo grito. Vieram pelo poder da palavra escrita ou falada. Às vezes, um poema ou uma história que ressoou num lugar mais profundo. Essas figuras são contadoras de histórias, poetas, dançarinas, rezadeiras, visionárias, encantadeiras, encantadas…

Elas estão retornando, retomando seus territórios, (re)encontrando seu bando, ocupando os corpos com segurança e orgulho. Elas falam e agem em defesa de seu povo, se enfurecem diante da injustiça… Estão atentas, conscientes de seu poder, escutam seus próprios ciclos e descobrem aquilo a que pertencem. Essas figuras são dedicadas a recontar a história por outros pontos de vista. Na guerra, na festa e na paz.