1º Encontro de Mestras e Griôs do DF

1º Encontro de Mestras e Griôs do DF

Em uma grande roda de prosa, o 1ª Encontro de Mestras e Griôs do Distrito Federal irá dialogar sobre sobre feminismos e ancestralidades, reunindo diferentes mulheres guardiãs de saberes, fazeres e ofícios tradicionais. O encontro está marcado para o dia 1ª de dezembro, das 14h às 18h, no Ponto de Cultura Invenção Brasileira, Mercado Sul de Taguatinga. A entrada franca e livre.

O 1º Encontro de Mestras e Griôs do DF propõe legitimar os espaços ocupados por mulheres atuantes e mantenedoras das tradições culturais afro-indígenas brasileiras. Em roda, mestras, griôs, suas aprendizes e público irão construir um espaço-tempo intergeracional, para compartilhar histórias de vida, música, dança, culinária, poesia, tradição, ancestralidade e contemporaneidade.

Participam do projeto, como mestras e griôs convidadas: a artista popular Martinha do Coco; a yalorixá Mãe Baiana; a parteira Adiles Sebastiana, a brincante de Bumba-meu-boi e compositora de toadas Tamatatiua Freire e sua mãe, matriarca do bumba-meu-boi do Seu Teodoro, Dona Maria; a mãe de santo da Umbanda Mãe Cícera de Oxum; a costureira e bordadeira Dona Santina; a artesã e educadora popular Tetê Alcândida; a costureira Dona Nem; e uma das mais antigas mães de santo do Distrito Federal, Mãe Railda.

O evento acontece na Ocupação Cultural Mercado Sul, território histórico de resistência e luta dentro da cidade de Taguatinga (DF), e convida o público a uma tarde de convivência comunitária, como é costume nas zonas rurais que são berço das tradições culturais presentes. O cenário vivo do encontro é a cozinha caipira de Dona Tetê, reconhecendo esse espaço socialmente construído como feminino e, por isso mesmo, silenciado.

O evento é uma realização do Instituto Candango de Culturas Populares e da Casa Moringa, com fomento da Secretaria de Cultura e pretende tecer uma rede de mulheres fazedoras e guardiãs da cultura popular brasileira que, com coragem e beleza, encantamento e luta, mantêm vivas as tradições, afirmando vínculos e consolidando processos subjetivos de constituição da identidade cultural do DF.

 

PROGRAMAÇÃO

14h: Abertura com Casa Moringa e a Boneca Flor (Mestra Tetê Alcândida)
14h30: Pedido de benção e ciranda com Martinha do Coco
15h: Círculo de Cultura Griô – “Feminismos e ancestralidade: reconhecimento e valorização das histórias de vida das mulheres na cultura”
16h: Intervalo e lanche
16h30: Declamação do cordel Benzadeus com Keyane Dias e Vivência de Cuidados com Dione Ferreira
17h: Conversa sobre a Lei de Mestres e Mestras
17h45: Encerramento
18h: Celebração Comunitária “Sarau Casa Moringa” – Palco Aberto
19h: Cortejo de Calungas da Orquestra Alada Trovão da Mata

 

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SERVIÇO

1ª Encontro de Mestras e Griôs do Distrito Federal

Data: 1º de dezembro de 2018
Hora: 14h às 19h
Onde: Ponto de Cultura Invenção Brasileira
Endereço: QSB 12/13 – Taguatinga Sul
Entrada: Franca
Classificação indicativa: Livre
Informações: 61 9.8110.7383

 

NOSSAS MESTRAS E SUAS HISTÓRIAS DE VIDA

Dona Nem
Dona Nem é moradora da Ocupação Cultural Mercado Sul, onde, há 7 anos, abriu sua Oficina de Costura. Lá, ela inventa figurinos para os espetáculos de mamulengo e teatro popular produzidos pelos grupos residentes na comunidade. Nascida e criada na zona rural da Bahia, município de Cocos, aprendeu a costurar junta da mãe e da avó, ajudando a fazer roupas para a família. Sempre foi encantada com os circos que passavam na cidade e seu prazer era costurar as roupas de bonecas para brincar. Quando se casou, assumiu a costura como profissão. Hoje, é referência de liderança feminina no Mercado Sul de Taguatinga, matriarca que acolhe os artistas mambembes e o movimento cultural em sua casa, costurando para bonecos de mamulengos, peças teatrais e brincantes.

Tetê Alcandida
Tetê Alcândia é artesã, bonequeira, educadora popular e mulher brincante, uma griô de tradição oral. Desde 1990, trabalha com a cultura popular brasileira. Já realizou trabalhos de cenografia e figurinos para o Circo Boneco e Riso, Teatro Boca em Boca, Grupo Bagagem & Cia, Teatro Mapati, Mamulengo Presepada, Mamulengo Sem Fronteiras e Casa Moringa. É fundadora do Centro de Cultura Mamãe Taguá, onde atua em diversos projetos governamentais, como Projeto Brasília Criança, Candanguinho, Brasil Rural Contemporâneo e Feira da Agricultura Familiar. Em 2011, desenvolveu, na Escola Classe do Setor P Norte, o projeto de oficinas Memórias Populares, apoiado pelo Fundo de Apoio a Cultura – FAC. Foi coordenadora e curadora da exposição Sítio São João do Cerrado, de 2008 a 2015. Desde 2014, é coordenadora da loja de economia solidária Armazém do ofício, em Taguatinga. Em 2015, participou do Festival Cultura Popular de Brasília, com cenografia da Cozinha Caipira e apresentação da Boneca Gigante Flor. Atualmente, assumiu a coordenação da ocupação cultural Filhos do Quilombo Grupo de Capoeira Raiz de Tradição.

Martinha do Coco
Marta Leonardo ou Martinha do Coco é artista cantadeira, reconhecida como Mestra Popular pelo Ministério da Cultura, em 2013. Mora no Paranoá há 30 anos, sendo a artista popular de maio expressão na cidade. É pernambucana e veio morar no DF ainda menina, junto de sua mãe e irmãos. Desde cedo, trabalhava como empregada doméstica para ajudar no sustento da casa. Aos 17 anos, foi trabalhar na casa de uma musicista, que lhe deu condições de retomar a paixão pela música, adormecida pelos anos duros de trabalho na nova capital do país. Martinha do Coco caminha com um trabalho autoral pulsante, que fortalece a cultura musical do Nordeste a partir do coco, do maracatu e da ciranda.

Dona Santina
Santina nasceu no interior da Bahia. Aos 9 anos de idade aprendeu a costurar e a fazer os primeiros pontos de bordado com a mãe e a tia. Nascida e criada na roça, ali plantava, colhia e tecia o algodão para fazer linha. Aos 16 anos, aprendeu a ler e escrever, juntando as crianças de sua comunidade para ensinar em roda. Casada, veio morar em Brasília e trouxe sua máquina de costura. Na capital, consagrou-se costureira e bordadeira. Hoje, é coordenadora da associação de bordadeiras de São Sebastião e tem seu trabalho reconhecido nacionalmente, produzindo peças para eventos como Fashion Week e realizando exposições em feiras nacionais e internacionais. Em 2010, foi reconhecida como Mestre Popular pelo Ministério da Cultura.

Mãe Cícera de Oxum
Mãe Cícera de Oxum é liderança comunitária em Samambaia Sul, onde, há 11 anos, coordena o Templo Espiritual Rosa Branca, atendendo a comunidade com trabalhos de cura na linha de Umbanda e Jurema. Organiza diversos festejos comunitários e campanhas de auxílio às famílias em situação de vulnerabilidade social. Desde criança, cresceu junto com a mãe na tradição dos terreiros de Xangô e Jurema de Pernambuco. Nascida com problemas de saúde, foi dada a Padre Cícero de Juazeiro do Norte para apadrinhamento, dedicando grande parte de sua vida aos trabalhos de cura dentro do terreiro.

Tamatatíua Freire
Filha do Mestre Teodoro Freire, Tamá, ou Jamelinha da Mangueira, como é conhecida em sua comunidade, foi criada dentro da tradição maranhense do Bumba-meu-boi. Sempre atenta às histórias do seu pai e acompanhando a mãe, Dona Maria Raimunda, nos cuidados com os rituais e indumentárias das festas do boi, Tamá foi descobrindo seu dom para cantar e compor toadas. Aos 12 anos, começou a brincar como índia bailante de cordão, dentro da tradição. Em 1982, começou a participar do carnaval de Brasília. A partir daí, consolidou uma trajetória dentro das principais Escolas de Samba da cidade: Acadêmicos da Asa Norte e Bola Preta. Em 2005, criou o bloco de carnaval Acorda Maroca, para brincar o carnaval em sua comunidade. É mãe de Carolina Freire, de 22 anos, que também já segue dando continuidade a tradição.

Adiles Sebastiana de Sá
Nascida em 1938, em Pirenópolis (GO), Irmã Soledad cresceu vendo a mãe exercer incansavelmente seu ofício de parteira, sem reconhecimento ou valorização. Muito cedo, decidiu ir embora da cidade em busca de novas possibilidades de vida. Chegou em Brasília no início de sua construção, mas foi na Cidade Eclética onde morou e trabalhou por muitos anos, recebendo o nome pelo qual é conhecida pela maioria dos moradores de Santo Antônio do Descoberto (GO:) Irmã Soledad. Formou-se em Enfermagem, foi funcionária pública e profissional da saúde. Sempre ativa politicamente, trabalhou na implantação de várias políticas públicas para saúde no município, assim como colaborou com o processo de emancipação de Santo Antônio, no início da década de 80. Seu maior sonho como parteira e filha de parteira é formar uma Associação de Parteiras e construir uma Casa de Parto onde possam trabalhar todas as parteiras e enfermeiras-parteiras da região.

Mãe Baiana
Mãe Baiana de Oyá é uma das mais reconhecidas Yalorixás do Brasil. Ao longo de sua vida, se dedicou à defesa das culturas tradicionais de terreiro de todo o país, em todas as suas vertentes: religioso, político, saúde, ambiental e cultural. Uma mulher de muitos saberes e fazeres. No decorrer dos mais de 30 anos de existência do Ylê Axé Oyá Bagan, a Yalorixá tem se dedicado à difusão da cultura afrodescendente, por meio de militância ativa e regular junto aos órgãos públicos, entidades privadas e sociedade civil, com foco na regularização da situação dos terreiros de Umbanda e Candomblé no Distrito Federal e Entorno.

 

FICHA TÉCNICA

Realização: Instituto Candango de Culturas Populares e Casa Moringa
Produção Colaborativa: Casa Moringa e Rosa dos Ventos
Coordenação de Produção: Luciana Meireles
Assessoria de Produção: Stéffanie Oliveira e Juliana Albuquerque
Relatoria: Judith Diogo
Criação Gráfica e Fotografia: Nara Oliveira (Gunga)
Audiovisual: Jovem de expressão
Assessoria de Imprensa: Keyane Dias (Pareia)

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